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JORNAL DOS EUA MANDA 2 REPÓRTERES A NANUQUE: RESULTADO É MATÉRIA APRESSADA E EQUIVOCADA SOBRE SITUAÇÃO POLÍTICA LOCAL

profademircomunica
há 5 horas
2 min de leitura

Reportagem do New York Times destaca o avanço da direita no município, mas deixa de lado o histórico de votação, que aponta equilíbrio entre os dois lados



O New York Times publicou nesta sexta-feira (23/10) uma reportagem sobre Nanuque para explicar o avanço da direita no Brasil às vésperas do segundo turno. O jornal usa a cidade como exemplo de um eleitorado que estaria se inclinando para o bolsonarismo. Só que os números da própria cidade contam outra história: a de um município dividido, que alterna o vencedor de uma eleição para outra e decide tudo na margem.


O que o jornal diz


Segundo a matéria, a insatisfação com o governo, as críticas ao Bolsa Família e a influência evangélica ajudam a explicar a força de Flávio Bolsonaro em Nanuque. O texto lembra que, em 2022, Jair Bolsonaro venceu Lula na cidade por apenas um voto, e que, no primeiro turno de 2026, Flávio abriu cerca de dois pontos percentuais de vantagem.


O que os números mostram


Esse “um voto” é verdadeiro, mas é do segundo turno de 2022: Bolsonaro fez 10.130 votos e Lula, 10.129. No primeiro turno daquele ano, quem liderou foi Lula, e com folga maior do que a de Flávio agora:


Primeiro turno de 2022: Lula 9.662 votos (49,1%) e Bolsonaro 9.124 (46,3%), uma diferença de 538 votos;
Primeiro turno de 2026: Flávio Bolsonaro 9.501 votos (48,54%) e Lula 9.175 (46,87%), uma diferença de 326 votos.

Ou seja, a vantagem do candidato da direita neste ano, de pouco menos de 1,7 ponto percentual, é menor do que a que Lula teve em 2022, de cerca de 2,8 pontos. E o petista segue com quase 47% dos votos na cidade, a apenas 326 votos do primeiro colocado, num total de pouco mais de 19,5 mil votos válidos.


Por que isso importa


Reduzir Nanuque a um símbolo do avanço da direita ignora o que as urnas mostram: um eleitorado repartido quase ao meio, em que o lado que vence muda e a diferença é pequena. Em 2026, os dois principais candidatos somaram mais de 95% dos votos, o que reforça a polarização, mas também mostra que nenhum dos lados domina a cidade. A própria reportagem reconhece que trabalhadores que dependem do Bolsa Família tendem a manter o apoio a Lula.


Poucos votos, muita diferença


Em uma cidade de cerca de 35 mil habitantes, algumas centenas de votos decidem quem sai na frente. É essa disputa apertada, e não uma inclinação clara para um dos lados, que define o retrato político de Nanuque, e que qualquer análise séria da cidade precisaria mostrar por inteiro. O jornal norte-americano ouviu dezenas de moradores, mas parece ter assumido claramente a sua predileção.


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