GILSON VAI ESPERAR PASSAR ELEIÇÃO DE DEPUTADO PARA SE MOVIMENTAR EM TORNO DE QUEM SERÁ O SEU SUCESSOR
- profademircomunica
- 24 de jun.
- 3 min de leitura
Vice Alemão é o nome mais provável e revela uma estratégia política clássica: apostar na continuidade através de quem já ocupa posição de destaque na gestão


Por enquanto de maneira tímida, o cenário político municipal para 2028 começa a se movimentar em torno da sucessão do prefeito Gilson Coleta (PP). A lógica da política local indica que, após o ciclo festivo de julho e o processo eleitoral imediato, quando em outubro o país vai votar para deputado, senador, governador e presidente da República, Gilson deverá se dedicar à construção de um projeto de continuidade, escolhendo um nome capaz de merecer seu apoio e o respaldo de seu grupo político.
Depois de cumprir dois mandatos, é natural que a posição de Gilson o coloque como “padrinho político” na sucessão, com poder de transferir capital eleitoral. Dentro do seu grupo, a coesão interna será determinante. A escolha de um sucessor pode reforçar alianças ou, é claro, abrir fissuras. O discurso de continuidade dependerá da avaliação popular sobre sua gestão daqui a dois anos.
Esse movimento é típico da política municipal brasileira, onde o prefeito reeleito em fim de mandato, sem poder concorrer a um “terceiro tempo”, atua como articulador central da sucessão. O jogo de forças, alianças e narrativas será decisivo para definir quem herdará o apoio do atual gestor e se tornará o candidato natural do grupo.
PROCESSO QUE ENVOLVE OUTROS PRETENDENTES
Sabe-se que a sucessão do prefeito Gilson não se resume apenas à escolha de um nome. O processo pode abrir espaço para disputas internas que testam a coesão do grupo político e a capacidade de articulação do líder.
Gilson admite aos interlocutores mais próximos que a indicação de seu vice Gilmar Alemão (Solidariedade) está na mira. Ele se apoia na própria legitimidade institucional, afinal de contas, como vice, Alemão já possui visibilidade e experiência administrativa, além de merecer a sua confiança, numa cidade onde brigas entre prefeito e vice, em passado recente, prejudicaram bastante o Município no plano administrativo. Outro ponto compreensível é que a escolha do vice costuma ser vista como solução de consenso, reduzindo disputas internas.
Por outro lado, Alemão vai precisar mostrar que não representa apenas um “apêndice” do prefeito, mas um líder capaz de imprimir sua própria marca, com projetos de governo bem definidos. É natural que adversários queiram explorar a ideia de “mais do mesmo” para desgastar sua candidatura.
Alemão está consciente de que precisará construir uma narrativa própria, que vá além da simples continuidade. O eleitorado, especialmente em cenários de desgaste natural de qualquer governo, pode exigir sinais de renovação. Se o vice se apresentar apenas como “mais do mesmo”, corre o risco de ser alvo fácil da oposição, que certamente explorará essa fragilidade. A equação, portanto, passa por equilibrar a lealdade ao legado de Gilson Coleta com a capacidade de imprimir uma marca própria, mostrando-se preparado para liderar, e não apenas suceder.
As chances de sucesso de Gilmar Alemão dependem diretamente da habilidade de Gilson Coleta em transferir seu capital eleitoral e da força de mobilização do grupo político. Se o prefeito conseguir consolidar a ideia de que o vice é o herdeiro natural de seu projeto, sobretudo pela amizade e confiança dos dois, a candidatura ganha musculatura e pode se tornar favorita.
Gilson e Alemão começaram juntos na política como vereadores, em 2012, na eleição do então prefeito Ramon Ferraz. Disputaram a reeleição em 2016 e, quatro anos depois, em 2020, partiram para o projeto de prefeito e vice. Ganharam e se reelegeram em 2024.
Por outro lado, se houver hesitação, disputas internas ou dificuldade em construir uma narrativa convincente, amigos divergentes e opositores encontrarão terreno fértil para crescer. Em resumo, Gilmar Alemão surge como o nome mais provável e viável, mas sua vitória dependerá de como conseguirá se apresentar como continuidade segura e, ao mesmo tempo, liderança autônoma capaz de dialogar com os novos tempos.
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