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AFINAL, NANUQUE ESTÁ SENDO INCORPORADA À BAHIA?

  • profademircomunica
  • há 22 horas
  • 4 min de leitura

(*) Texto de Sebastião Cerqueira Neto, geógrafo nascido em Nanuque


"Discordo veementemente dessa nova delimitação geográfica do IBGE, pois um território não é feito apenas por cálculos matemáticos, traçando coordenadas e elaborando mapas que levem em consideração apenas os números para a sua confecção. Uma demarcação geográfica não pode desconsiderar um contexto histórico do lugar. Nesse sentido, a Santa Clara culturalmente sempre pertenceu ao povo e ao território de Nanuque."

Sebastião em Paris, 2015 (arquivo pessoal)
Sebastião em Paris, 2015 (arquivo pessoal)


Ao ler a última postagem do https://www.objetivonexus.net do meu amigo jornalista e professor Ademir Junior, que tem como título de matéria NANUQUE PERDE TERRITÓRIO PARA MUCURI EM NOVA ATUALIZAÇÃO DO IBGE, percebi que a minha clarividência sobre o futuro de Nanuque estava correta quando realizei a minha dissertação de mestrado sobre o Município, dissertação esta intitulada “Contribuição ao estudo geográfico do município de Nanuque -MG”. Nesse trabalho científico eu demonstrei que se Nanuque não procurasse um caminho de sua identidade, fatalmente, se tornaria apenas uma coadjuvante tanto para Minas Gerais como para a Bahia.


Entretanto, antes de realizar minhas considerações, quero deixar claro que, como um estudioso da Ciência Geográfica, discordo veementemente dessa nova delimitação geográfica do IBGE, pois um território não é feito apenas por cálculos matemáticos, traçando coordenadas e elaborando mapas que levem em consideração apenas os números para a sua confecção. Uma demarcação geográfica não pode desconsiderar um contexto histórico do lugar. Nesse sentido, a Santa Clara culturalmente sempre pertenceu ao povo e ao território de Nanuque.


Sobre a análise que proponho fazer sobre esse tema, a faço, não baseada em minha opinião pessoal, mas no resultado de uma pesquisa geomorfológica que dediquei à cidade onde nasci, Nanuque. Uma pesquisa que se tornou referência bibliográfica para alguém que publicou trabalhos científicos sobre Nanuque, e que também já foi usada por juízes do Tribunal de Justiça de Minas Gerais para decidir causas que envolvam a geografia de Nanuque.


Diante disso, destaco alguns pontos que coloquei não conclusão do meu trabalho científico sobre Nanuque, que foi finalizado no ano de 2001:



Um município com essas características política que não investe na educação do seu povo dificilmente se tornaria um lugar de produção econômica, científica e de sua própria identidade.



Nesse parágrafo final dos meus estudos, está o exercício da minha clarividência enquanto pesquisador que estuda o presente e projeta o futuro de um determinado lugar. O parágrafo escrito em 2001 retrata Nanuque em 2026, se partirmos da análise do artigo publicado pelo professor Ademir Rodrigues de Oliveira Júnior.



Nesse outro ponto da conclusão da pesquisa, alerto para o fato de que Nanuque teria que fortalecer o seu território, pois, ao contrário, iria perder sua importância regional, inclusive com os distritos e municípios vizinhos.



Por fim, nesse outro ponto da conclusão da pesquisa alerto para a questão da criação de novos estados brasileiros, e que Nanuque precisava pensar nessa discussão. Caso contrário, será “engolida” por atos políticos e demarcações geométricas num futuro reordenamento territorial que envolvesse a Bahia e Minas Gerais.


Para completar, em 30 de outubro de 2024 publico no https://www.objetivonexus.net um artigo intitulado AS FRONTEIRAS ENTRE O EXTREMO SUL DA BAHIA E MINAS GERAIS. Portanto, para mim não nenhum estranhamento em Nanuque perder parte do seu território.

Não há como negar que há uma relação muito forte e histórica de Nanuque com o Extremo Sul da Bahia, inclusive porque muitos comerciantes e políticos foram para vários municípios nessa parte da Bahia fazer um tipo de colonização econômica.


Nesse ponto, esses municípios devem muito a Nanuque. Basta fazermos uma conta de quantos políticos nanuquenses foram governar municípios no Extremo Sul da Bahia! Nenhum deles voltou! Contribuíram em muito para o desenvolvimento nesse pedaço da Bahia. Será que esses políticos oriundos de Nanuque já previam que nosso Município não teria “futuro”? Nenhum deles voltou para Nanuque, seja para fazer política ou realizar investimentos econômicos.


Este pequeno texto que escrevo, baseado em pesquisa científica, não é de forma alguma e nem pode ser vista como uma crítica à atual governança do Município. Nanuque é atualmente o resultado de um longo processo histórico de modo de governança municipal que parece não ter retorno.


Contudo, Nanuque ainda se apresenta como uma boa fonte de dividendos políticos e econômicos para poucos; caso contrário, já teriam se mudado. Nesse caso, o escambo de votos parece ser a única atividade atrativa para políticos que só conhecem Nanuque pela sua Pedra Bueno.


Enquanto geógrafo, termino esse texto com um mapa antigo, que também está na minha pesquisa sobre Nanuque.


 

O mapa mostra que onde era uma área de litígio entre a Bahia e Minas Gerais, que tinha Nanuque como referência para que um dia tivesse o seu mar, agora é o mar da Bahia que pode ter Nanuque!


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  • * Sebastião P. G. de Cerqueira-Neto. Professor de Geografia no Instituto Federal da Bahia/Campus Porto Seguro. Doutor em Geografia. Pós-Doutorado em Antropologia / Estudo de Quilombola (UFBA, 2014). Pós-doutorado (Bolsa-Capes) no Centro de Estudos Sociais na Universidade de Coimbra em Portugal / Proposta de interpretação do território brasileiro através dos pensamentos de Milton Santos e Boaventura de Sousa Santos (2015). Pós doutorando no HCTE / UFRJ sobre Geografia Comportamental e Território Mental. Membro do Grupo de Pesquisa Observatório Milton Santos (IFBA/CNPq).]


Referência

CERQUEIRA NETO, Sebastião P.G Contribuição ao estudo geográfico do município de Nanuque – MG. Dissertação (Mestrado em Geografia). Universidade Federal de Uberlândia – MG, 2001




1 comentário


nerespaulocezar
há 21 horas

Isso mostrar o quanto Nanuque está atrasado com a política atual, um verdadeiro desatre

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