QUASE 9 MIL ELEITORES NÃO VOTARAM PRA PRESIDENTE NO 2º TURNO DE 2022 EM NANUQUE
Cidade dividida ao meio deu a Bolsonaro apenas um voto a mais que Lula, enquanto 8.770 eleitores — quase 30% do eleitorado — simplesmente não compareceram às urnas. Neste domingo, a pergunta se repete: quem vai deixar de votar?

No segundo turno das eleições de 2022, Nanuque viveu um dos resultados mais apertados que se pode imaginar. Jair Bolsonaro obteve 10.130 votos e Luiz Inácio Lula da Silva, 10.129 — uma diferença de um único voto entre os dois candidatos à Presidência. O eleitorado nanuquense se dividiu praticamente ao meio, num empate técnico que mostra uma cidade rachada em suas preferências políticas, espelhando a polarização que tomou conta de todo o país.
Os demais números completam o quadro: foram 268 votos brancos e 437 votos nulos, totalizando um comparecimento de 20.964 eleitores. Até aí, nada que fuja ao esperado em uma disputa tão acirrada. O dado que realmente chama a atenção — e que merece reflexão — está em outro lugar: na multidão que ficou em casa.
A abstenção foi de 8.770 eleitores, o equivalente a 29,49% do eleitorado. Em números redondos, quase 9 mil nanuquenses deixaram de votar numa das eleições mais decisivas e disputadas da história recente do Brasil. Para se ter dimensão do tamanho desse contingente, o número de ausentes é quase igual à votação individual de cada um dos candidatos. Ou seja: havia, parada à margem do processo, uma massa de eleitores capaz de, sozinha, ter definido o resultado com folga para qualquer um dos lados.
Quase 9 mil pessoas na balança, pesando para um lado ou para o outro
E é justamente aqui que mora a reflexão mais incômoda. Numa eleição decidida por um voto, cada abstenção pesa como uma tonelada. Quase 9 mil pessoas que poderiam ter inclinado a balança — para um lado ou para o outro — escolheram o silêncio. Não se trata de defender este ou aquele candidato, mas de reconhecer uma verdade simples: quem não vota também decide, ao transferir para os outros o poder de escolher por si. Em uma disputa tão equilibrada, a ausência deixa de ser um gesto neutro e passa a ser determinante.
A alta abstenção em Nanuque não é um fenômeno isolado, mas acende um alerta sobre o distanciamento entre o cidadão e a política. Seja por descrença, cansaço, dificuldade de deslocamento ou simples comodismo, o fato é que um a cada três eleitores aptos preferiu não exercer o seu direito mais elementar na democracia. E, quando isso acontece em uma cidade onde um voto decidiu a disputa, a lição fica ainda mais evidente: em Nanuque, nenhum voto é pequeno, e nenhuma ausência é inofensiva.
Agora, a história se repõe diante do eleitor. Neste domingo (4 de outubro), a cidade volta às urnas — e a mesma pergunta ressurge: quantos vão deixar de comparecer? Será que o nanuquense aprendeu com o apertado 2022, quando um único voto fez a diferença e milhares de ausências pesaram sobre o resultado? Ou veremos novamente arquibancadas vazias no jogo mais importante da democracia? A resposta dirá muito não apenas sobre quem Nanuque vai eleger, mas sobre o quanto a cidade leva a sério o próprio poder de decidir o seu futuro. Afinal, democracia não se faz na ausência — se faz no voto.




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